QUAL É O MELHOR TIPO DE EMPRESA PARA SE TRABALHAR?

por Meiry Kamia

Reclamamos tanto dos salários que a impressão que temos é que o salário seja o principal retentor de talentos nas organizações. Puro engano! Pesquisas demonstram que os trabalhadores têm buscado muito mais que apenas salários.

Num primeiro momento, o salário pode sim ser o principal atrativo, entretanto está longe de ser o maior retentor de talentos em uma organização, além disso, o dinheiro está incluso na categoria dos mais baixos fatores de motivação.

Lembrando que motivação é a energia empregada na realização de projetos, tem a ver com o estado de espírito parecido com felicidade, alegria e que forma uma base psicológica importante para a criatividade, inovação, e comportamentos como iniciativa, proatividade, entre outros. Ao contrário da motivação estão os estados de desânimo, angústia, ou seja, sentimentos mais negativos que levam à mais erros por falta de atenção, maior lentidão de raciocínio, etc.

Uma pessoa pode até ganhar um bom salário, mas se não estiver motivado dificilmente entregará um bom resultado e logo irá buscar outras oportunidades no mercado. Não quero dizer com isso que dinheiro não seja importante. Longe disso! Dinheiro é necessário para a nossa sobrevivência. Entretanto, o ser humano está longe de querer simplesmente sobreviver. Ele deseja mais! E as empresas estão se dando conta disso.

Em 2012, a Revista Você S/A fez um levantamento com 136.381 funcionários de empresa, com o objetivo de saber qual seria o melhor ambiente para se trabalhar. Mais da metade dos funcionários afirmaram que o um excelente lugar para se trabalhar é onde eles sentissem satisfação e motivação pelo trabalho.

Nesse ponto é importante diferenciar “satisfação” de “motivação”. Sendo que a satisfação está ligada aos recursos físicos como: bom ambiente de trabalho, boa mesa, boa iluminação, etc. E motivação é a sensação interna de energia, comprometimento e vontade de se superar. Ter uma razão maior para trabalhar é o segredo da automotivação para o trabalho. E isso explica por que Ongs e Escolas de Samba estão lotadas de pessoas que trabalham de graça, ou até colocam dinheiro do bolso para trabalhar, e estão sempre felizes e comprometidas com o trabalho.

E é aí que entra a importância do líder. Além da condução dos processos da empresa rumo a um objetivo comum, faz parte da responsabilidade do líder inspirar e desenvolver a equipe. E quando digo inspirar, quero dizer, criar um propósito para o trabalho, ou seja, ajudar a equipe a se automotivar.

Pessoas motivadas são mais felizes porque conhecem o propósito do seu trabalho. Conhecem seu papel na organização e sentem orgulho dos resultados de seus trabalhos. Essa sensação de realização traz o sentimento de felicidade e comprometimento, e com ela ganhamos maior atenção aos detalhes, maior responsabilidade nas tomadas de decisões, maior proatividade, etc. Um funcionário que é tratado apenas como um número, que não compreende seu papel na organização, que trabalha apenas pela necessidade de sobreviver, e não vê sentido nenhum em seu trabalho, não terá motivo para se empenhar. E, pessoas desmotivadas, tristes, demonstram baixa energia, baixo comprometimento, mostram-se passivas (realizando apenas o que lhe pedem), tendem a compensarem a tristeza comendo doces, fumando, consumindo álcool ou drogas, o que trará ainda mais problemas relacionados à produtividade. Além disso, estão mais expostas ao cortisol (hormônio do estresse) que rebaixa a imunidade, dando brechas para doenças físicas e psicológicas.

Podemos perceber que as empresas estão sim mais atentas aos processos internos/psicológicos dos funcionários e estão começando a entender que Programas de qualidade de vida no trabalho já não são mais considerados gastos e sim investimento.

O interesse nos estudos de QVT surgiu em meio a um cenário de grande competitividade, onde a pressão para atingir metas elevadas fez com que aumentassem os problemas relacionados à saúde física e mental dos funcionários, obrigando-os a se afastarem do trabalho por muito tempo ou até a aposentadoria compulsória.

Percebeu-se que o estado emocional era um assunto importante e merecia atenção e isso também estaria ligado aos lucros e produtividade da organização. Dessa forma, o bem estar dos funcionários passou a ocupar espaço nas estratégias das empresas que começaram a adotar medidores como Clima Organizacional, investimento em programas de treinamento e desenvolvimento, e não apenas treinamento técnico, mas também com foco comportamental, de forma que os funcionários também tivessem a possibilidade de desenvolver habilidades como comunicação, feedback, autoconhecimento, etc., fatores essenciais para o desenvolvimento da automotivação.

É possível concluir que, empresa boa é a empresa que sabe cobrar um bom resultado do funcionário, mas também faz a sua parte, oferecendo meios para que o desenvolvimento do funcionário possa acontecer. Não importa se a empresa é de grande ou pequeno porte, é sempre possível investir no crescimento das pessoas tanto do ponto de vista técnico como comportamental.

Meiry Kamia é Palestrante, Psicóloga, Mestre em Administração de Empresas, Consultora Organizacional e Docente em MBA de Gestão de Pessoas. Autora do Livro “Motivação Sem Truques”. Também é ilusionista, premiada como melhor mágica feminina da América Latina, pela Federação Latino-Americana de Sociedades Mágicas. Desenvolve palestras motivacionais e treinamentos diferenciados, aliando Arte Mágica, Teatro e Psicologia. E-MAIL: atendimento@meirykamia.com ; Site: www.meirykamia.com

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