ENFRENTANDO A DEPRESSÃO E DESEMPREGO

Por Meiry Kamia

Desânimo, tristeza, angústia, falta de energia, apatia, tédio, insônia, ansiedade, irritação, vontade de ficar só, esquecimento, dificuldade de concentração, podem ser sinais de depressão.

A depressão é um distúrbio afetivo que, segundo o IBGE, atinge 10,2% dos brasileiros desempregados. O estresse psicológico causado pelas preocupações com o pagamento das contas da casa, o medo do futuro incerto, a vergonha de não conseguir manter o padrão de vida, a ansiedade pela espera de respostas de novas oportunidades de emprego, etc., podem causar esgotamento psicológico e físico, e esse esgotamento pode levar à depressão.

Conhecer e compreender a doença ajuda, e muito, no processo de cura e também trabalha como preventivo. O objetivo desse artigo é justamente ampliar o conhecimento sobre a depressão e “dar uma luz” sobre como lidar com situações estressantes que põem a prova nossa autoestima e alegria de viver. Trabalharei três aspectos principais para evitar a depressão em situações estressantes como o desemprego, são eles: Energia, Ciclos e Espiritualidade.

O povo oriental está bastante familiarizado com o aspecto Energia. Assim como a circulação sanguínea, existem energias em nosso corpo, que estão sempre em movimento. O tempo todo geramos energia. Sem energia, somos seres mortos. A energia é gerada através das sinapses, que são informações elétricas, passadas de um neurônio para outro, gerando movimentos voluntários e involuntários, que garantem nossa sobrevivência e também geram ações e comportamentos.

A qualidade das energias que geramos, em parte, depende do tipo de emoção que sentimos no momento. A palavra “emoção” vem do latim “emovere”, significa que é a energia que nos “põem em movimento”. Todas as emoções são geradas no cérebro – através do entendimento do que é positivo ou negativo para nós – e, a partir daí, o cérebro libera neurotransmissores que, através de sinapses, conduzem a energia para o corpo gerando movimentos de acordo com os neurotransmissores liberados: alegria, tristeza, raiva, etc.

Quando sentimos alegria damos socos no ar, saltamos, gritamos e nos sentimos muito dispostos! E quando essa energia se une a uma meta, ela se transforma em motivação. O medo prepara o corpo para o ataque ou defesa, pode nos paralisar ou fazer com que tenhamos vontade de sair correndo. A raiva, por sua vez, leva a energia para os membros superiores e inferiores, fazendo com que tenhamos vontade de bater, chutar e arremessar coisas. A tristeza, base da depressão, é justamente o rebaixamento da energia vital, ocorre quando perdemos uma pessoa ou algo que nos é muito importante. A pessoa sente pouca energia, sente necessidade de se isolar, ficar quieta, não se mexer. Isso ocorre porque a parte psíquica está reunindo todas as forças para elaborar a perda, dar novo significado à vida – e isso significa direcionar a energia para outro ponto, resgatar a esperança, a energia vital e seguir adiante.

Entretanto, algumas pessoas têm dificuldade em sair dos estados de tristeza justamente porque não conseguem direcionar a energia para outros aspectos positivos da vida. Isso faz com que a energia seja desperdiçada e a pessoa também começa a ter dificuldade em gerar energia psíquica. É como se a pessoa tivesse um “vazamento” da energia, vamos entender como isso acontece:

Vamos supor que você esteja namorando uma pessoa, está super apaixonado(a), mas por alguma razão, a pessoa decide desmanchar o namoro. Mas você está muito apaixonado(a), vidrado(a) na pessoa e, mesmo ela não correspondendo, você insiste em manter-se ligado(a) à ela. Você liga, tenta conversar, manda mensagens, tenta se encontrar, etc. Mas a outra pessoa nem ao menos quer falar com você. Perceba que existe uma energia sendo direcionada para a pessoa amada, porém essa energia é frustrada porque não atinge seu objetivo. A pessoa não quer receber a energia direcionada e a relação não flui, e desta forma, também não há retroalimentação da energia. Lembrando que todo relacionamento só se mantém através de um fluxo de energia, quando damos e também recebemos energia em forma de atenção, carinho, ligações, cuidados, etc.

Quando direcionamos a energia e a mesma não encontra seu fluxo, ou seja, não é recebida, nem correspondida, aí vem a frustração e, com ela, num primeiro momento, os sentimentos de revolta, raiva, e num segundo momento, a tristeza e impotência. Se esse sentimento não for bem elaborado, poderá se transformar em depressão – esgotamento de energia.

Agora vamos pensar numa outra situação. Vamos supor que você esteja em um relacionamento desgastado e muito “morno”. Numa situação dessas, é natural que você busque outras atividades mais interessantes para direcionar sua energia. Você começa a fazer ginástica, querer sair mais com os amigos, a estar em outros lugares, etc., e começa a ter menos vontade de passar o tempo com a(o) namorada(o). Até que chegará o dia em que você não desejará estar nesse relacionamento porque ele não te preenche mais, ou seja, toda sua energia já estará direcionada para outras atividades. Nesse caso, o término do namoro será sentido como um grande alívio. Até poderá haver certo sentimento de tristeza, mas talvez muito mais pelo sofrimento da outra pessoa, ou talvez pelas coisas boas que o relacionamento trazia, mas dificilmente haverá um luto profundo. E, logo, você já estará bem novamente e pronto para um novo relacionamento.

A diferença entre o primeiro e o segundo exemplo é que no segundo exemplo não houve frustração da energia, pois ela fora canalizada para outras pessoas e atividades. Já no primeiro exemplo, o sofrimento foi maior porque havia muita energia sendo direcionada para um propósito único e frustrado. O mesmo processo ocorre em outras áreas da vida. Quando você está empregado, existe um direcionamento para o trabalho. Mas, se você é demitido e essa energia não for direcionada para outra atividade, ela é frustrada, e aí acontece o sofrimento.

Até aqui compreendemos como funcionam as energias das emoções. O segundo conceito que precisamos entender é o dos ciclos em nossas vidas. Toda vida é regida por ciclos dinâmicos que começam e terminam, há ciclos mais objetivos como dias, semanas, meses, etc., e há ciclos que não possuem início e término tão perceptíveis, que é o caso dos ciclos de fases psicológicas, ciclos de relacionamentos, etc. Se não estivermos atentos às mudanças, podemos sofrer por insistir em permanecer em ciclos que já terminaram. Por exemplo, existem adultos que insistem em permanecer no ciclo da infância, e demonstram isso quando relutam em assumir as responsabilidades sobre suas vidas, preferindo serem dependentes eternos de seus pais. Ou, quando insistimos em permanecer em relacionamentos que já se tornaram tóxicos. Ou, quando nosso orgulho não nos permite dar adeus ao emprego anterior, alimentando ressentimentos e pensamentos negativos, aprisionando-nos em um ciclo de trabalho que já acabou.

O mais saudável é conseguirmos direcionar a energia para cada área da vida: profissional, financeira, amorosa, social, espiritual, saúde, familiar. Em meu livro “Motivação Sem Truques”, ensino com detalhes como formular metas para cada uma dessas áreas. A vantagem de trabalhar com esse modelo é que evitamos o direcionamento de toda nossa energia para um único foco. Há pessoas que direcionam energia apenas para os aspectos profissional e financeiro, negligenciando as demais áreas (saúde, família, amigos, etc). Isso empobrece a vida, limita o desenvolvimento de habilidades interpessoais, e aumenta o risco de sofrimento demasiado e depressão em caso de desemprego ou problemas financeiros, pois a pessoa não aprende a valorizar e ter prazer nas demais áreas da vida.

Se você está desempregado, você pode se empenhar em preparar o novo ciclo de trabalho, enviando currículos, falando com conhecidos, etc. Mas durante o tempo em que precisa esperar por respostas, você pode direcionar sua energia para outro aspecto de sua vida, seja em algum trabalho voluntário, ou mesmo fazendo alguma melhoria dentro de casa, ou dedicando mais tempo para a família, ou cuidando da saúde fazendo caminhadas.

Esse redirecionamento ajuda a energia manter o fluxo dinâmico, além disso, mantém o pensamento voltado para questões saudáveis e produtivas.  Pessoas que estão sempre de bem com a vida, mesmo quando as situações são negativas, normalmente utilizam esse recurso. Ficar parado piora tudo porque a paralisia é o contrário da energia da vida, que é dinâmica.

O terceiro e último aspecto que gostaria de tratar é o da Espiritualidade. Independente de religião, a crença de que existe uma força maior que você ajuda muito a enfrentar momentos de dificuldade. Quando você sente todas as suas forças se esvaindo, mas acredita que pode contar com uma força maior que a sua, e que tal força atuará através de você, etc, etc, essa forma de pensar te dará forças extras para enfrentar a situação negativa, pois ela gera esperança e fé. Esse tipo de crença faz com que você sinta que não está sozinho, e isso é essencial para enfrentar problemas. Pessoas que se apegam apenas a aspectos materiais e observáveis, nos momentos em que a vida lhes tira os bens materiais, rapidamente caem em depressão, pois sentem-se sozinhos, desamparados, sem esperança, pois não conseguem enxergar valor, nem sentido, em questões que não possam ser vistas por seus olhos ou tocadas por suas mãos. Entretanto, a energia que fará com que a pessoa saia do negativismo e desesperança não é material.

Infelizmente, muitas pessoas só entram em contato com o aspecto espiritual justamente quando enfrentam problemas muito graves em suas vidas. É uma pena porque acabam sofrendo mais. Conforme comentei no meu artigo sobre “Os pilares do sucesso”, o aspecto espiritual é essencial não apenas no enfrentamento dos problemas, mas principalmente para que as decisões mais importantes da vida sejam guiadas pelos sentimentos mais elevados moralmente, tais como, o respeito, a fraternidade, honestidade, etc.

Resumindo, se você está desempregado e deseja evitar a depressão, siga as dicas a seguir:

  1. MOVIMENTE-SE: Evite ficar parado. Canalize sua energia para alguma atividade positiva, seja envolvendo-se em atividades voluntárias ou sendo útil em casa ou praticando exercícios físicos.
  1. DESAPEGUE: Aprenda a dizer adeus ao passado. Evite falar mal do emprego anterior, use o tempo para planejar e preparar o futuro. Aproveite o tempo para desenvolver seus conhecimentos e habilidades, existem vários cursos gratuitos e vídeos positivos na internet que podem ser úteis.
  1. MEDITE E APRENDA: Reserve um tempo para rezar, orar, meditar, ou seja, para estar com você mesmo. Reflita sobre a lição que está sendo aprendida no momento. Seu orgulho está sendo atingido? Sua vaidade? Está tendo que aprender a lidar com a privação? Comece a observar, valorizar e agradecer aspectos simples da vida como a simples companhia das pessoas, a beleza do dia, do sol, das árvores, etc. Mantenha a mente focada em notícias positivas. Evite ver filmes de terror, programas de TV que só falam em desgraça, pois esse tipo de programação lhe retira a energia positiva.

MEIRY KAMIA – Palestrante, Psicóloga, Mestre em Administração de Empresas, Autora do livro “Motivação Sem Truques”. Ilusionista premiada como melhor mágica feminina da América Latina, pela Federação Latino-Americana de Sociedades Mágicas. Desenvolve palestras motivacionais ilustradas com mágicas e treinamentos diferenciados, aliando Teatro e Psicologia. Site: www.meirykamia.com; contatos: 11-2359-6553; contato@meirykamia.com

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